Dói no íntimo da alma.
Não é fácil conter as lágrimas. Vê-se homens de todos os portes aos prantos.
É comovente sempre.
Até para quem não gosta de futebol,
se sente solidário àqueles que voltam pra casa com o gosto amargo da derrota.
Perder um amigo, um ente querido, um amor...
Não poder olhar mais nos olhos da pessoa e ver o brilho de vida. Não poder encontrar mais "por
aí". Não poder abraçar, ou ligar no meio da noite para receber conforto.
Perder um emprego, depois de anos de dedicação, e de vestir a camisa.
Perder a dignidade, diante da humilhação.
Perder a vergonha, forçados por uma paixão arrebatadora, e depois perder o objeto de desejo.
Sempre dói.
Sempre passa. Se você quiser.
Azedar eternamente diante de uma perda, é uma opção. Não uma sentença.
Conheci uma vez uma graciosa mulher madura, que retomando a faculdade, parecia estar
renovando a própria vida. Mas amargava a perda de um marido infiel.
Não conseguiu passar esta página e estacionou na decepção do idolatrado cônjuge.
As novas conquistas não virão se pararmos na derrota.
Quem não luta não perde, mas também não conquista.
O próximo passo, tem que ser dado. É claro que não é simples.
Não são só etapas. Precisa de transformação. Pegar o que se aprendeu com a perda, juntar os
caquinhos, reconhecer os erros, criar a força para seguir em frente...
E tudo isso carregando
ainda a mágoa da perda. Porque esta não nos abandona tão facilmente. Ela arde na garganta, e
cria nós.
Faz acelerar o coração e suar as mãos, calafrios no estômago,
tremedeira nas pernas e adrenalina no sangue pulsando.
Use esse gás a seu favor.
Não se acomode na mágoa, e nem use-a contra ninguém.
Tudo passa. Acredite isso também vai passar.
Perder dói. Às vezes odiamos saber que isso faz parte da vida. Mas é quando nos tornamos mais humanos: na perda. E quando nos doamos também. Talvez por isso eu goste de assistir a emoção dos jogadores de futebol que perdem os jogos e sabem que a Copa acabou ali para eles. Naquele momento, aqueles homens tão fortes, admirados, desejados, se mostram como são: humanos, fracos, atingíveis e não semi-deuses.
ResponderExcluirPerder nos faz humanos e nos faz compreender a humanidade do outro quando sabemos aprender com as perdas.