sábado, 14 de agosto de 2010

Personificação da Alma

Vamos brincar de ser feliz?

Só por hoje esquecer o que machuca, o que fere o que faz sofrer.

Pensar em coisas boas, sem anelar a coisas ruins.

Lembrar da cantiga de roda, da brincadeira de pegar, do esconde-esconde.

Pensar que ainda somos crianças, só que não mais indefesas.

Olhar para o colega e dizer: você é importante para mim.

Deitar no colinho de quem amamos, seja o pai, a mãe a vó...Mesmo que não estejam mais aqui.

Ouvir de novo a música que embalava a alegria há alguns anos como se o tempo não tivesse passado.

Ver no reflexo o próprio rosto sem buscar pelas imperfeições, sem notar as marcas do tempo.

Sentir que foi muito bom viver até agora.

Será ainda melhor daqui para frente.

Mais um ano de vivência.

Mais um ano de experiência.

Mais um ano de conquista.

últimos momentos antes do badalar da meia noite,

quando se inicia a contagem regressiva para os trinta.

Que me perdoem os maduros, mas amo demais meus 20.

E me dói vê-los partirem.

Saudosismo à flor da pele,
lembrando do bom e velho tempo
em que não tinha coisa mais importante que o natal.

Que brincar era o verbo dominante, e que a preocupação existia em relação a hora de

voltar para casa.

Como é bom viajar no tempo. Rever os amigos da primeira série, da quinta, do

terceirão...

Ter o primeiro beijo outra vez...a primeira festa, a primeira noitada...

Como é bom brincar disso....de ser feliz.

E o amanhã é a tela em branco. Ser o pintor, o artista plástico.

Recriar a vida. Redesenhar a própria vida.

Rabiscar...

Ensaiar, fingir, tentar...

Brincar de ser feliz.

2.8

Só mais um dia....

Um dia nunca é igual ao outro...
Por mais repetidas que sejam nossas atitudes.
Por mais metódico que seja o indivíduo, o dia da marmota só existe no filme feitiço do tempo.
O dia a dia as vezes cansa tanto, que esquecemos que cada dia é único.
As oportunidades que se apresentam em sua maior parte, não se repetem no dia seguinte.
O sol nasce e se põe e neste intervalo tem gente esquecendo de viver
A gente conta o tempo que esquece de contar a história da gente.
O dia todo, uma hora inteirinha, um infindável minuto, um relampejo de segundo e a vida se vai.
O que fica é a história para ninar.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Used to be

Costumava caminhar displicente. Passos desordenados, sem ritmo.
Observava apenas as flores na costeira da estrada.
O pó que deixava meus pés descalços para vagarosamente juntar-se à terra que desnuda do mato trilhava o destino.
Não olhava para trás. O sentimento adocicado da saudade não me abatia.
Tinha decidido sair do lugar.
Embora fosse tão distante o sonho, só seria alcançado se desse o primeiro passo adiante.
Adiante do passado amargo de decisões erradas e altruístas que definiram meu presente com o sabor meigo da frustração.
Não mais respostas ensaiadas para não ferir outros.
Não mais sufocar a vontade na garganta.
Manter a vontade controlada só para saboreá-la com mais prazer
Nova Era novo momento.Novo Eu.
Que deixa o cansaço físico e a exaustão mental de lado para curtir cada segundo de vida.
Afinal a vida é esta, e esta passando depressa.Mais rápido que meus passos nessa trilha que escolhi pela solidão.